Songs First
Poetry & dreams, set to music.
Ouça: Me Leva
Didn't ask me for a name. A mão já sabia o caminho. O inglês pede, o português se rende.
Um poema meu, escrito em português, que traduzi para o inglês e virou rap. A letra não devolve golpe nenhum, ela audita o que sobrou. Todo verbo forte é sofrido, não praticado, e quem fala só age no fim: veste as marcas que recebeu. A tese está numa linha só, some wounds refuse to heal, they just become your might. A ferida não cura, muda de função.
Escrevi a letra inteira no imperativo: carrega, veste, põe, faz, não pede, abre mão. Ela não descreve nada, empurra. Cena aqui não é palco nem cena musical, é o momento que você está vivendo, e fazer valer é não desperdiçar o instante. A linha que segura tudo não pede licença pra atravessar.
Soul em inglês, e a canção inteira é feita de perguntas. Se o sol fosse só luz e não chama. Se os dias fossem só horas contadas e não o que acontece entre elas. Se o amor fosse só uma palavra. O refrão não responde nenhuma delas, só devolve a pergunta. No fim sobram três palavras soltas: poesia, cor, movimento.
Meu amigo Fabio me escreveu uma carta há uns 30 anos, listando um por um o que é um amigo. Achei ela guardada e as palavras dele viraram esta canção. O refrão é dele, palavra por palavra. Saiu no dia em que ele faria 46 anos, em viola caipira, num estilo meio country que ele sempre curtiu.
Primeira canção em dueto da casa: voz de homem e voz de mulher se revezando, cada um sendo o anjo do outro. A letra abre acordando alguém de madrugada, não pra dormir, pra sonhar. Fala de amor guardado, de segredo, e daquele canto mais lento da voz onde até o silêncio respira por nós.
Um samba de breque sobre quem entra em campo sem ninguém apostar. A letra é feita de expressão popular colada em expressão popular, do jeito que se fala na mesa do bar: costas quentes, pé na estrada, corda no pescoço. O azarão que vai assim mesmo, e ganha por um nariz.
O primeiro rock da casa em português, e a canção é um pedido: que alguém pergunte. Por onde ele esteve nas noites de silêncio, se ainda sente o cheiro de baunilha nos corpos colados. Ele pede a pergunta por um motivo só, descobrir se aquela pessoa ainda existe em algum canto que não seja dentro dele.
A melodia é da época de escola. Eu já tocava essa música no violão naquele tempo, e ela ficou esperando desde então. Agora virou gravação: rock em inglês, com a estética dos anos 90 na capa e no som. Letra e melodia são minhas.
Sobre a hora de ir embora que a gente adia. Não por falta de motivo, por excesso de vontade. O perfume que ficou no sofá, a mão na pele, a promessa de que dessa vez era a última. Primeira canção da casa em inglês.
Um poema meu sobre o feed: a vida dos outros passando na tela, sempre bonita. A música encena o poema. Começa sedutora, neo-soul, hipnótica como o scroll. No meio, o beat quebra e entra o boom-bap seco, sem trilha bonita pra amaciar. Termina quase em silêncio, com a pergunta aberta.
Antes de ser canção, foi poesia: Repente Farso, escrita à mão num caderno em 2015, num período mais recluso, longe das noitadas, cuidando da mente e do corpo. Pra virar música, ganhou versos novos, harmonia e melodia. Onze anos depois, é a primeira faixa da casa.
Um poema que escrevi e, há pouco, também musiquei. A voz e os arranjos vieram de IA, e o resultado está aí. Outono, uma das minhas quatro estações preferidas.
Catálogo
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O selo
mikemusic é a casa das canções de Michel Carasso. Algumas nascem em português, outras em inglês. Umas são MPB, outras são rock. Umas pedem samba, outras pedem soul. O estilo, quem escolhe é a história. O que não muda: toda música começa numa letra, e toda letra começa numa história vivida.
Aqui não tem pressa de hit nem fórmula de playlist. Tem letra que esperou anos pela sua harmonia, pelo seu ritmo, pela sua melodia. A tecnologia virou ponte pra dar vida a essas histórias, e agora elas encontram o caminho até você.
Desde criança escrevo poesias. Algumas esperaram anos no papel até encontrar sua melodia. O mikemusic nasceu para isso: transformar poemas, sentimentos e sonhos em música, sem gênero fixo. A canção vem primeiro. Sempre.
Michel Carasso